Deep Opportunities for Deep Techs

Deep Techs são empresas ou start ups de desenvolvimento tecnológico de ponta, a partir de descobertas científicas relevantes que surgem em universidades ou ecossistemas específicos, com parques tecnológicos e institutos de tecnologia de apoio.

No Brasil, em 2018, observamos um aumento em 22 por cento no montante de investimentos financeiros nesse tipo de empreendimentos. Esse dado é maravilhoso e encorajador, principalmente se levarmos em consideração três aspectos que representam especificidades negativas na economia brasileira.

De um lado, temos uma economia em processo de desindustrialização intenso desde 2016. De fato, segundo o IBGE, a representação da indústria no PIB do Brasil tem queda alternada desde 1990, porém com maior força a partir de 2016. Com isso temos uma especialização forte em commodities na balança comercial do país, com aumento cada vez maior de exportação de produtos como soja para a China, por exemplo.

Numa segunda frente, temos uma outra realidade a alterar: a falta de interação das pesquisas científicas com os setores produtivos do país. Embora o Brasil possua um conjunto expressivo de cientistas de alto nível e injete recursos relativamente vultosos no financiamento à pesquisa, a ciência e a mentalidade científica ainda não estão incorporadas ao funcionamento da economia e da matrix industrial brasileira. De acordo com relatório da Science Metrix de 2018, o Brasil é o décimo terceiro país em número de artigos científicos no mundo. Quando falamos de publicações com acesso aberto, é o primeiro colocado. Realmente um paradigma que mostra potencial e que deve ser alterado.

Uma terceira questão que vale ser mencionada é a ausência de estruturas tecnológicas e inovadoras no país. Apenas 1,6% das empresas da indústria brasileira apresentam seus processos plenamente digitalizadas, de acordo com pesquisa de 2020 da CNI. A boa notícia é que o investimento em tecnologias 4.0 já se elevaram em 10 pontos percentuais nos últimos dois anos e 48% das grandes empresas da indústria afirmaram forte intenção em investir em soluções tecnológicas avançadas no próximo ano. A indústria 4.0 pode ser o grande motor para mudar essa realidade de escassez tecnológica na matriz industrial e participação com alto valor agregado no mercado externo.

Nós da Displace gostamos de enxergar além e trabalhar duro para contribuirmos para um cenário mais afirmativo em termos de desenvolvimento tecnológico e inovador no país. Somos uma deep tech nascida na UFF, especialistas em EDGE AI, com capacidade de atuar com computação visual avançada em arquitetura distribuída para interpretação automática de imagens e vídeos. Estamos na vanguarda tecnológica com engine proprietária de treinamento de redes neurais para identificação de inconformidades. Temos auxiliado grandes empresas da indústria 4.0 a reduzir drasticamente seus acidentes de trabalho. Portanto, acreditamos que iniciativas como a nossa, em cooperação com importantes Hubs de inovação do país, assim como iniciativas governamentais em conjunto com Ventures Capitals especializados em deep techs podem mudar de forma consistente a realidade de relativo atraso no cenário tecnológico do país.